Publicado por: diariodebloco | abril 10, 2010

parado no escuro

terça-feira, 09h40, Largo da Carioca

Quem olhava por fora a estação do metrô no Largo da Carioca até pensava, “Nossa, que lugar vazio, vou entrar e me dar bem!“. Mas andar debaixo da terra em dias que se chove muito não parece algo animador. Nos dias normais o metrô do Rio de Janeiro já naturalmente entra em colapso, imagina então no dia que chove 200 milimetros de água de uma vez na cidade? Dentro da estação, me dirigi ao sentido Zona Sul para pensar um pouco como iria me resolver naquele péssimo dia. Na plataforma, algumas pessoas já se aglomeravam fugindo do centro da cidade em direção de casa. Vi gente chorando ao celular. Comecei a pensar em um monte de coisas horríveis quando ouvi um barulho do vagão se aproximar pelo túnel. Ventava e fazia frio.

A composição parou e entramos. Tive a sensação de que ia me enfiar numa lata de sardinhas. As pessoas adoram serem empurradas e fazem questão de compartilhar desse momento insano com você. Me posicionei estrategicamente e a pressão do movimento do trem começou. Estavamos fugindo do caos para o outro lado da cidade. Passou-se 15 minutos até que o vagão freiou. Não foi brusco, mas algumas pessoas caíram sobre outras. Antes dele ficar totalmente parado, a luz do trem piscou. Nesse momento meu coração gelou e uma onda de nervosismo tomou conta de todos. As pessoas estavam até calmas diante de todo o colapso do sistema de transportes da cidade. Mas de repente, os passageiros se viram impotentes do que estava pra acontecer. Uma voz surgiu pelos alto-falantes.

– Senhores, peço desculpas pela interrupção da composição, mas infelizmente uma outra composição na nossa frente quebrou. Teremos que aguardar ela ser removida para seguirmos.

Olhei pelo vidro e vi o breu lá fora. Estavamos parados dentro da galeria, o túnel totalmente escuro e… sem saída. Uma maravilha. De acordo com o maquinista estavamos entre as estações da Candelária e da Glória.

As pessoas começaram a ficar irritadas depois de dois minutos. Aos dez, estavamos todos tentando se comunicar com parentes e amigos. O celular de alguns não pegava e o rádio estava fora do ar. Vi um homem de chapéu começar a cantar uma música evangélica, enquanto isso uma senhora bem baixinha fazia uma oração segurando com a mão esquerda uma bíblia de bolso. Um grupo de adolescentes se preocupavam mais em mandar torpedos pelo celular e outro grupo conversava sobre futebol. Uma senhora de uns 60 anos, sentada na minha frente, enfiou o rosto nas duas mãos e desabou a chorar.

40 minutos depois a composição saiu do lugar.

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