Publicado por: diariodebloco | abril 7, 2010

presos na ponte

terça-feira, 04h30, Niterói

O alarme do despertador nem precisou tocar na madrugada.

Acordei com o barulho da chuva mesmo. “- É, tá chovendo ainda.”, pensei. Meu pai não havia chegado do Rio e alguma coisa muito séria havia se instalado na cidade. Aos poucos, o sinal do caos começou a soar quando resolvi sair de casa em direção ao trabalho. Ainda em Niterói, não havia uma forma de atravessar a Ponte. As pessoas iam chegando aos poucos nos pontos de ônibus e imaginando o que realmente a tal chuva da madrugada havia causado. Não havia ônibus. Ninguém imaginava o tamanho do problema até três ônibus da viação 1001 se aproximarem em fila, pararem e um fiscal franzino se aproximar. Ele cochicha algo para o motorista do primeiro carro, dentro de um ônibus com o visor “TURISMO” piscando feito um painel de Las Vegas, daí grita:

– QUEM VAI PRO GALEÃO? Sobe aqui!.

Epa.

Bad feelings. Os ônibus estavam oficialmente sem itinerário, e isso eu percebi imediatamente depois que subi em um deles. Paciência. Já no Centro, carros voltavam na contramão sinalizando algum problema mais à frente. Ou era um deslizamento de terra, fato esse que se comprovou ainda naquela hora em dois bairros da Zona Sul, ou eram imensos bolsões d’água que impediam a passagem dos carros. Demorei cerca de 40 minutos pela cidade atravessando ruas que nunca fizeram parte da rota convencional. Ainda sonolento e imaginando que seria apenas ali que o problema se instalara, tive um susto quando alcançamos a Ponte Rio-Niterói. Carretas e mais carretas se aglomeravam no sentido Niterói, tentando, em vão, passar pela Avenida do Contorno, rumo ao Norte pela BR-101. Os veículos entupiam a via ao mesmo tempo que carros, caminhões e ônibus descansavam sem saber o que fazer. Ou melhor, para onde ir. A via sentido Niterói estava fechada. A impressão inicial era que estavam todos ali parados desde a madrugada. Pude notar que alguns passageiros desciam dos carros ainda no vão central e tentavam voltar para a cidade a pé. Parecia uma daquelas cenas de filme bem clichê em que as pessoas geralmente abandonam os veículos e decidem utilizar as pernas para fugir do Jason, de um dinossauro, uma nave extraterrestre, ou sei lá… da inofensiva chuva.

Muitos minutos depois, tive uma pontada de felicidade. Naquele momento, o meu ônibus voava espantosamente em direção ao Rio. Alegria rápida. Na chegada ao Gasômetro, a Polícia Rodoviária Federal decide interditar a via expressa para evitar acúmulo de carros na chegada à capital. A causa era os bolsões d´água gigantes que inundaram a Avenida Brasil e a Francisco Bicalho interrompendo o trânsito nas duas entradas da capital.

Início dos problemas desse dia.

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